Uma vez escrevi sobre uma tarde
em que conversamos, uma tarde de sol imprevisto*. Hoje o sol voltou a brilhar e
até a incomodar a vista, enquanto conversávamos. A conversa de hoje conseguiu
chegar ainda mais longe do que todas as que tivemos sobre os mais variados
temas, incluindo o daquela tarde, motivo de reflexão profunda.
O sol estava mais forte, a escuta
ainda mais ativa, o tema foi praticamente o mesmo mas com uma direção concreta,
uma situação real e presente. Falamos de ilusão, dos malabarismos de que esta
dispõe para nos manter sob o seu feitiço, falamos do quanto podemos adiar a
realidade com ela e adiar os nossos propósitos de vida. Relembraste-me quem
sou, o que quero e o que não quero, e desta vez não tive sequer vontade de te
contrariar. Desta vez não foi preciso encarar-te o olhar para te compreender,
os argumentos eram válidos e a voz convicta. Estavas certa, em cada afirmação,
cada alerta, cada constatação, mesmo que o futuro me surpreenda – falamos do
presente e de não “tapar o sol com a peneira”. Devolveste-me frases que eu
própria construí, conclusões que tirei com a experiência! Não me induziste, não
me influenciaste, foste (e és) simplesmente quem melhor me conhece.
Desta vez não fomos a cantar para
casa, as cantigas são supérfluas quando se encontra a verdade...!
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