Dobra-se uma folha a meio, calca-se bem, com veemência e por várias vezes consecutivas. A seguir é fácil rasgá-la, por essa dobra.
Quando fazemos o mesmo caminho diariamente, quase que o conseguimos percorrer de olhos fechados, torna-se automático. A ida para o trabalho, o regresso a casa, subir as escadas até ao quarto, não interessa para onde mas quantas vezes vamos.
Se atravessarmos uma estrada de terra, repetidamente pelo mesmo trajeto, este vai ficar bem delineado e será até com alguma dificuldade que alteraremos a rota, de tão profundas que estão as marcas do chão (principalmente no caso do meio de transporte ser uma carroça).
O mesmo acontece no nosso córtex cerebral. Se se utiliza constantemente os mesmos “caminhos mentais”, estes vão-se tornar principais e salientes. Quando isto ocorre, cai-se facilmente nos mesmos “erros” cognitivos e mesmos pensamentos, utilizar um desvio necessário transforma-se numa tarefa árdua. Assim compreende-se melhor porque se torna tão difícil para um depressivo, um compulsivo ou mesmo um obsessivo (passo os termos, dado que normalmente censuro a “rotulação” mas utilizo aqui pelo sentido prático dos termos), encontrar alternativas de comportamento, soluções para problemas ou razões para mudar parâmetros segundo os quais regem as suas vidas. A mente fica como que viciada e mal habituada.
Recordo-me muitas vezes da importância deste processo porque assim se pode, até certo ponto, evitar o sofrimento crónico, o sofrimento derivado de situações que não dependem do próprio ou simplesmente que não têm uma resolução satisfatória. O quanto é útil expandir os horizontes, tornar a visão o mais panorâmica possível (porque esta será sempre limitada)!
Fazer contorcionismo com a mente (com algumas precauções para não “partir o eixo”), pode ser muito saudável. Saber que a quantidade de perdas e elementos negativos presentes (ou futuros) no nosso quotidiano, é (na maior parte dos casos) igual ou inferior aos nossos ganhos, é uma questão de foco. Este foco pode ser desenvolvido e educado, para que isso aconteça é necessário trabalhar a elasticidade do nosso órgão pensante. Este pode ser exercitado, tal como um músculo. Por isso, bora lá pro ginásio para aumentar a performance… E a alegria!
Aproveito a deixa para introduzir o meu novo método de escrita neste blog. Porque "quem me dera" que fosse possível na realidade instantânea e porque aqui o é, vou passar a usar (e abusar) da funcionalidade "editar". Que não se admire quem ler um texto hoje e daqui por uns tempos o pretenda reler, que já não encontre a mesma "prosa", ou (quem sabe, porque ainda não testei os meus limites neste campo) até já nem encontre a mesma ideia inicial. Reinventar o suspiro... Ai ai, se o pudéssemos fazer com os dias que já passaram... "Cut!" Eu sei, perdia-se a espontaneidade, genuinidade, entres outras dades mas porque não simulá-lo aqui neste meu espaço virtual, de onde sai e entra quem quer, ao contrário do meu espaço físico onde devo respeitar as normas..?
Pretendo com isto completar o que considero lacunas, reformular a mensagem, eliminar disparates ou até acrescentá-los! Brincar com a plasticina era das atividades que mais me entretinha enquanto criança. Continuo a gostar...