segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Raios de sol

Alguns raios de sol fazem-me erguer a mão para proteger o olhar. Semicerrados pela dor aguda sentida docemente, os olhos não perdem a curiosidade que lhes é inerente. Questiono: exponho-me a esta luz sem pudor nem receio ou viro-lhe as costas e abro o peito ao lado que ela ilumina? Em qualquer das opções não posso negar a sua evidência, nem evitar a sua existência..!



domingo, 16 de dezembro de 2012

As vantagens do limbo



Considero a tão almejada estabilidade um produto de uma utopia gerada pela forma como a mentalidade se desenvolveu nos últimos tempos. Daí maior parte das pessoas saberem “bem” o que querem da vida, do que precisam para se sentirem felizes. Então, começam por estabelecer objetivos para o futuro, maior parte deles incluem posses (materiais ou imateriais), como carro, casa, casamento, filhos. Grande parte de nós acreditamos que quando alcançarmos estes pressupostos, temos “a vida feita” e o que vier é lucro! Pois entretanto foram deixados para trás os chamados sonhos, muitos desejos foram frustrados e a realização pessoal não é a que se esperava. Será que bastarmo-nos  com o que é esperado não nos distrai de tal forma que desviamos a atenção daquilo que realmente gostamos, precisamos, queremos?

Não sei a fórmula para a felicidade, nem tão pouco posso afirmar qual é a melhor atitude que se pode ter para com as nossas aspirações. Do que me apercebo é que me leva a questionar se não estamos maior parte de nós a procurar metas erradas, influenciadas por massas quando todos temos a nossa idiossincrasia, tão díspar e valiosa. Parece-me injusto para comigo própria seguir mais um grupo de pessoas que provavelmente estão alienadas pois não se sentem felizes do seguir a minha motivação interna. Tudo bem, temos obrigatoriamente que estabelecer regras e submetermo-nos a condicionamentos para nos integrarmos na sociedade. Mas esta está em crise, não só económica mas principalmente de valores (os que são realmente importantes), está doente, por isso até que ponto não é salutar questionarmos a sua viabilidade enquanto civilização de sucesso?

A minha intenção inicial com este texto era a de confrontar a estabilidade aparente em que muitos vivem (e outros desejam) e a instabilidade/inconstância natural e inerente à própria existência, no sentido de perceber de qual das duas situações se pode tirar mais proveito.

Ora na sequência de uma vista de olhos pela estabilidade em que se crê atualmente (sim é uma crença), passo para uma reflexão mais elaborada sobre o que é “viver no limbo”, situação tão temida, cujo medo dela proveniente nos leva tantas vezes a tomar decisões que são erradas pelo facto de não as querermos tomar, de não serem opções para nós mas simples obrigações sociais, por exemplo.

Pois para mim, viver “no limbo” leva a um ponto ótimo de atenção, proporciona o estado emocional mais saudável e realista que se pode conquistar, se soubermos gerir tudo o que surge, se tivermos recursos para reagir sempre que é necessário. Esses recursos sim são valiosos e eles sim deviam fazer parte da nossa educação e formação como pessoas, como adultos e cidadãos. Prepararmo-nos para a vida não passa somente por nos tentarem transformar em máquinas de fazer dinheiro pois esta premissa cai por terra quando este falta, quando é necessário flexibilidade, adaptação e união.

Para explicar melhor esta instabilidade saudável de que falo faço uma pergunta: quem reage melhor a um acidente, mudança de planos, morte de alguém próximo, divórcio, pobreza, etc  – aquele que atingiu e se segurou no seu sucesso, que sempre viveu uma vida de conforto, que acreditou que o seu bem estar era um estado permanente e praticamente inabalável ou alguém que teve de ter muito jogo de cintura para se aguentar, que teve de encarar, lidar e ultrapassar várias situações precárias, aquele que deu valor a momentos sabendo que eram apenas isso e esperou sempre melhorar sem procurar a perfeição?

Desenvolvendo melhor a ideia, o que confronto é principalmente a atitude perante o que nos acontece, o que temos, o que esperamos, mais do que a experiência em si porque em casos de dificuldades permanentes e graves na estrutura de vida de uma pessoa, esta resiliência não é tão frequentemente observada. Mas aqui também volto a relembrar que se a sociedade não se baseasse nas finanças mas na humanidade, as estruturas familiares, de comunidade e saúde seriam certamente mais sólidas e funcionais.

Autor/pessoa a admirar à luz desta teoria: http://bfi.org/about-bucky/biography

Outro texto sobre o tema da base económica que sustenta o sistema vigente: http://pontodindignacao.blogspot.pt/2012/05/estado-de-vigilia.html

Conclusão: Vivemos todos “no limbo”, mas nem todos temos essa consciência, maior parte de nós vive num quarto sem janelas, com uma porta que nem sempre está aberta!

P.S. Curiosa (post scriptum), fui ver o que se andava a escrever sobre o limbo e voilá http://elefantecinzento.blogspot.pt/2006/04/no-limbo.html - talvez uma mensagem mais clara sobre o que pretendia transmitir!