Barcelona. Entrar no metro e sair sem planos, sem um itinerário definido. Passeig de Gràcia. Salir e caminhar para onde o odor me leva. Andar até as sandálias romperem (facto verídico, não metafórico), é Domingo e só os cafés estão abertos mas não me apetece sentar. Ando sem saber parar. Dou por mim a perceber que era mais prudente ter ido no outro sentido, as ruas parecem-me estranhamente iguais. Volver. Direção contrária, passo pelas mesmas esquinas mas o cenário parece diferente, una segunda mirada. O meu fôlego alimenta-se da novidade de cada passo, Barcelona é uma cidade onde se respira. O meu olhar expande-se ao tentar absorver todos os estímulos - missão impossível. Pessoas, cores, sensações, tudo me encanta. Mesmo o que me desagrada. Tentar distinguir os turistas, carteiristas e imigrantes, entre os nativos, tornou-se um exercício engraçado. Como me defino entre eles? Um pouco de cada um. A semelhança com os carteiristas está na atenção ao detalhe e na perspicácia do olhar.
Sento-me no metro, só porque tinha jantar às 20h. Sem horas, perder-me-ia até me encontrar ali. Identifico-me. Integro-me. Sinto-me bem ali.
Por la noche parti novamente à descoberta, mas desta vez acompanhada. A viagem foi igualmente enriquecedora mas a aventura não foi tão emocionante. Solitária sinto-me mais acompanhada pelo mundo, dona de uma visão mais una.
