terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cruzamentos

O que é preciso acontecer para que duas pessoas se cruzem no mesmo caminho? São demasiados passos para não serem tidos em conta e para não se valorizar o seu resultado. Por isso sinto-me grata por te ter conhecido.
Enriqueci depois de te olhar, te sentir perto e de te compreender. Amadureci com a tua visão do mundo quando consegui ver pelos teus olhos, quando me despi por momentos do meu ego e te abracei de peito aberto. As tuas palavras ecoaram e compreendi melhor o sentido de tudo. Quando consigo ser humilde, aprendo muito e cresço contigo.
Ao enxugar as tuas lágrimas, rir com as tuas gargalhadas, ao partilhar o teu silêncio, celebramos a vida e curamos mágoas e sentimo-nos livres!
Tu que cruzaste o meu caminho, nem que por apenas um breve suspiro. Tu que paraste e ficaste. Tu que acrescentaste sentido à minha existência.
Vocês que continuam os vossos caminhos e assim tudo segue a sua ordem, o seu “destino”, em simbiose…


domingo, 28 de agosto de 2011

Ser Humano, um privilégio

 
Somos os seres vivos que mais interagem com o seu meio, com o seu próprio habitat, ultrapassando mesmo os seus limites. Temos assim nas nossas mãos um poder de aprendizagem e observação que mais nenhum ser do planeta possui. Somos privilegiados. Temos o privilégio de termos sido abençoados (passo o termo) com uma inteligência criadora, semelhante ao próprio poder da Natureza. Existe em nós uma capacidade suprema de recriar, reciclar, reinventar, que com certeza seria alvo de inveja se os outros seres vivos tivessem consciência dela.

Concordando, só poderíamos esperar uma contribuição e evolução benéficas para o mundo, vindas deste ser tão magnífico. O que vemos está muito longe do que se poderia esperar de um animal com tantas competências. Contra mim falo.

São muito poucas, ainda, as vezes em que me permito uma pausa para refletir sobre o meu estilo de vida e atitude perante o que me cerca. Uma fauna e flora vastas, com um encanto sublime cujo valor descuramos, como o fazemos com tudo o que nos parece fácil de obter. Dando um exemplo prático, no outro dia o patrão da empresa onde exerço funções, questionou-me: "Você sabe o que é mais valioso no mundo?" Ao qual respondi com outra pergunta, naturalmente: " Valor financeiro?" Respondeu afirmativamente. "Hmmm... Ouro, diamantes, platina..? Exatamente, respondeu. No entanto, não precisamos deles para respirar nem para sobreviver" Este pequeno diálogo tinha o intuito de me alertar para o valor comercial dos serviços que prestamos mas fez-me pensar numa questão mais importante e, Eureka! Agora entendo o que as pessoas com mais idade querem dizer com "Os valores perderam-se", ou, pelo menos, já tenho a minha interpretação. Não me refiro a valores ético/morais/religiosos, aí haveria pano para mangas e iria-me desviar do tema. Falo do real valor que damos às "coisas" e o pouco que damos à vida! Vêmo-la como garantida e porque a nossa passagem é curta, à que ser egocêntrico. Talvez a nossa passagem não seja tão curta e se prestarmos atenção à sabedoria indiana, o que não nos parece nosso ou parte de nós, se calhar é o nosso verdadeiro "Eu".

Quando estou atenta e cuido do planeta que me acolhe (dentro dos possíveis de forma a continuar integrada na sociedade), sinto-me mais consciente e com o coração cheio. Por isso, nem que seja por egoísmo, para nos sentirmos melhor connosco próprios, deveríamos abrir mais os olhos para a magia que nos envolve, ao invés de nos deixarmos ludibriar por uma utopia urbana que nos promete tornar "melhores", "mais capazes" e, simplesmente, mais consumistas e dependentes. Escrevo como um ato de lembrança para mim própria e para quem me quiser "ouvir".
Heal the world! :)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Nascimento do suspiro

Suspiro vem do latim suspirare (ofegar, bufar, exalar o ar com força). É também um doce. Ou seja, é algo que sabe bem.

Crio hoje este blog, com a vontade de quem expira e liberta tensões para logo depois poder inspirar com mais força, de forma revigorante, recarregando energias. Esvaziar para limpar e conseguir reescrever, em solo fértil, palavras com um novo significado que ecoará nas páginas do quotidiano.

A escrita funciona para mim como uma terapêutica de sucesso desde que consigo construir frases com algum sentido e significado existencial/filosófico, desde a puberdade. Mas não escrevo por isso, é algo tão natural e prazeroso como um suspiro. Escrevo porque sinto, porque assim me compreendo e me organizo.

Escolhi o dia de hoje para partilhar o que sinto porque suspirei mais do que o costume e escrevi assim no caderno onde habitualmente desabafo:

"Melancolia. Quando toma conta de nós, envolve-nos num terno abraço, acarinhando-nos com doçura. É aquela manta quentinha que nos aconchega quando está frio lá fora e que bem que sabe chorar sozinha e poder ter um momento para o fazer..! Um momento à parte. Quando a constância é a euforia, é bom e enriquecedor mudar um pouco de perspetiva, nem que por apenas um breve momento. Os nossos olhos húmidos e coração sensível observam de outra forma e cor o mundo, que é o mesmo de ontem, mas hoje parece diferente. Essa outra visão como que nos desperta para outros interesses, preocupações e valores de que podemos estar esquecidos. A tristeza pontual é uma experiência que nos equilibra, necessária à harmonia. A patologia ocorre quando transformamos a confortável manta num escudo protetor e nos fechamos ao mundo. Evito fazê-lo e não é natural em mim. Aliás, today i'm blue but i feel glad for that! "

É com alegria que partilho a minha tristeza. Posso culpar o tempo, as hormonas, o stress laboral, a fase da lua mas não é a atribuição de culpas que me interessa mas o que posso fazer eu com este sentimento? Posso por exemplo, escrever. É ser produtiva mesmo que só crie monotonia a quem leia este texto tão desconexo como o que sinto hoje!

Fico por aqui, com a vontade de acrescentar mais disparates mas com a prudência de quem sabe travar, às vezes, antes da curva.

Peço a vossa compreensão para a minha inexperiência como blogger. Estou habituada a escrever para os meus botões e a suspirar em silêncio, com toda a liberdade a que me permito.

Até mais!