Quando me olhas, não vês através,
mas para além de mim. Engrandeces-me o corpo, o alcance dos meus membros e da
minha habilidade. Sentes-me capaz de te abraçar infinitamente, como quem
compensa o colo onde, muitas vezes, não te pudeste deitar. Nesse abraço repousa
a esperança da plenitude, espera-te o suspiro de alívio que me fazes exalar,
por te sentir tão perto.
Os olhos são pequenos para
compreender tudo isto que acontece, quando nos olhamos. Não sei qual é o órgão mais inteligente para nos explicar, afinal, do que se trata.
Com uma venda colocada, o teu
odor prevalece. Se nos atam as mãos, os ouvidos esperam por uma voz, se não
chega, chamo por ela – responde sussurrante, com promessas de futuro.
Admites que me reconheceste no
primeiro cruzar. Eu confesso que menti, quando neguei que também eu te
reconheci. Sou covarde nas palavras ditas, tento contorná-las em momentos de
intimidade. Sei que escondo melhor (o que tenho medo de dizer) durante um
beijo, entre sorrisos ou abraços - assim julgo.
Qual o poder da razão quando a
vontade é maior, quando ficam mudos os avisos de quem nos conhece e de quem julga
saber o que não se pode ter?
Juntos não somos perfeitos, mas
completos.
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