No corpo guarda-se cada memória.
Cada passo dado ou desejado. Os temores, angústias, ou pelo contrário, as
corajosas aspirações, observam-se enquanto se dança, num movimento tão próprio
como uma impressão digital, ou enquanto se escreve, com gestos únicos.
É nos bloqueios que nos
conhecemos, também é com eles que nos podemos melhorar. Cada dificuldade cria
uma estratégia:
Tenho o calcanhar de aquiles
curto (mas resistente) porque sou preguiçosa, no entanto, "desenrascada" – as minhas
mãos chegam ao chão sem esforço, num exercício de flexibilidade. Consigo
fazê-lo porque inclino (como forma de “batotice”) as pernas em vez de as manter
retas, como devia ser. Se não o faço, desequilibro-me. Uso as diagonais como atalhos.
No processo de auto-conhecimento,
é tão importante escutar o corpo como se olha a mente, pois é uma extensão
desta, em forma de matéria. É o seu veículo, por uns tempos.
Contemos, em potencial, a
perfeição do equilíbrio, as respostas aos enigmas que desejamos decifrar.
A paciência não é nem necessária
neste desenvolvimento. É mais útil a consciência, a atenção ao que acontece, em
cada folha desenhada ou, se preferirem, em cada pirueta esboçada.
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