Como deter uma fantasia cujas asas brotaram de um sopro e agora batem ao ritmo do vento, imprevisíveis e indomáveis..?
Tentei arrancar pena por pena mas, para além da dor gerada por tal procedimento, cresciam duas por cada retirada. Não era uma boa estratégia.
Através da lógica também não tirei conclusões satisfatórias. Procurei um foco diferente, cravei os pés na terra de forma a concentrar-me no mundo tangível, real mas limitado. Procurei respostas em todos os tratados de Psicologia, queria saber, perceber, parar. Só as palavras de Blaise Pascal me fizeram sentido: "O coração tem razões que a própria razão desconhece."
De repente, o som do bater das asas tornou-se tão ruidoso que me acordou para uma quimera onde me sinto bem, confortável, compreendida e realizada, num cenário onde só me posso resignar à minha condição humana, carnal e sofredora.
Estou aqui, sinto-me viva, o sangue quente corre pelas veias e as asas permitem-me voar até onde o sonho me levar.
Leonor Moreira
Leonor Moreira