O sol não desapareceu mas eu
sinto a sua falta. Falta-me a sua luz apesar de saber que esta volta dentro em
breve. A sua falta escurece-me a alma e acorda-me os fantasmas. Tão dependente
e influenciável e por outro lado tão alegremente “solitária”. As contradições
convergem numa mesma personalidade que se exalta na tentativa de se
compreender.
domingo, 25 de março de 2012
Uma manhã no Barrio de Gràcia
Perdi-me no Barrio de Gràcia. Era previsível e foi quase premeditado. Paragem de metro Fontana, Carrer de Verdi, eram as únicas referências. O resto queria desvendar. De máquina fotográfica na mão (digital mas pouco sofisticada), qual arma em punho, disparo casa sim, casa não. Fachadas, portas e janelas, comércio, ecologia, praças e catalães, ditos escritos, cães que esperavam fielmente os seus donos à porta das lojas. Não me tinham enganado, aquele bairro tem charme, um encanto diferente, autêntico. Ali sente-se Barcelona (na sua faceta mais catalã) e contacta-se com o povo que a define.
As imagens podem explicar melhor do que falo: Barrio de Gràcia
sábado, 17 de março de 2012
Grata
Ufa! Depois de ultrapassada a agudeza do orgulho e da impotência, paira a serenidade. Respiro melhor. Não suspiro, inspiro!
Permaneço sentada na traseira de uma carrinha de caixa aberta enquanto esta acelera por estradas poeirentas. O olhar vê o que fica para trás a diminuir de tamanho... Cada vez mais pequeno.. E longe... Até que já não consigo perceber as formas das casas e dos planaltos. As montanhas distinguem-se mas rodeadas de névoa, o que as faz parecer miragem.
Deixo-me embalar com a trepidação. Fecho os olhos de tão confiante que estou na condução do motorista...
Permaneço sentada na traseira de uma carrinha de caixa aberta enquanto esta acelera por estradas poeirentas. O olhar vê o que fica para trás a diminuir de tamanho... Cada vez mais pequeno.. E longe... Até que já não consigo perceber as formas das casas e dos planaltos. As montanhas distinguem-se mas rodeadas de névoa, o que as faz parecer miragem.
Deixo-me embalar com a trepidação. Fecho os olhos de tão confiante que estou na condução do motorista...
sexta-feira, 16 de março de 2012
Ouvir o silêncio e suspirar
Há silêncios que dizem tudo. Há silêncios que respeito mais do que qualquer afirmação que pudesse contestar. Podem desiludir mas por outro lado aliviar. Podem ser desanimadores e pesar, gerar reflexão ou até preocupar!
Tal como o silêncio do que não se conhece, a solução está em aceitar. Não esperar respostas que podem nunca chegar.
De certa forma agradecer, o passo que eu não conseguiria dar!
Usufruir e renovar.
Tal como o silêncio do que não se conhece, a solução está em aceitar. Não esperar respostas que podem nunca chegar.
De certa forma agradecer, o passo que eu não conseguiria dar!
Usufruir e renovar.
domingo, 4 de março de 2012
Nua e confortável
Espaço e meio de comunicação, tela em que me projeto e me sinto livre. Os olhares indiretos que me apreciam, fazem-no sem terem sido solicitados. A pressão é mínima, a tensão frouxa descontrai a imaginação e deixa-a brincar. Não há uma expressão facial que gere insegurança nem que interpele o fio que desenrolo sem intervalos.
Tão diferente é a nossa fluidez verbal dependendo do recetor. Este suscita uma quantidade de reações que influem direta e incontrariavelmente na nitidez e expressividade da mensagem que se pretende soltar. Alguns fazem-nos engolir em seco, outros tremer a voz, há quem incentive à discussão ou a continuar suspirar. Há quem simplesmente nos cale ou com quem não nos apeteça falar.
Aqui e agora "o leitor" sou eu mesma (que raramente sofro por antecipação e só depois do concretizar tomo atenção a todo o cenário circundante - foco, impulsividade, capricho(?)). Não temo o meu julgamento, estou habituada a ele e tende a provocar melhorias. Transcrevo o que penso sem me importar se alguém vai ler.
Dispo-me sem pudor, de forma quase ingénua, adolescente, sem uma intenção premeditada mas com uma vontade voraz, como aquela que me faz dar passos ousados.
Encontro-me cómoda para me expressar, me movimentar. Posso ocupar espaço sem pisar ninguém, num solo em blackout. Está escuro enquanto escrevo, a plateia está silenciosa a ouvir e não tenho de a confrontar no mesmo momento em que me concentro.
São as vantagens das letras escritas nos bastidores comparativamente às palavras proferidas num palco.
De cariz egocêntrico, é a minha relação satisfatória com as folhas em branco.
sábado, 3 de março de 2012
- E o amor, acontece? (Do outro lado da porta)
Porta fechada. Dou duas voltas à
chave, na segunda é preciso puxar a porta com força. Gesto
diário até aqui. Repeti-o vezes sem conta, das primeiras com pouco jeito mas
tornara-se automático rapidamente e já nem dava por ele. Aquele pequeno esforço
acrescido já fazia parte do quotidiano, de tal forma que não me queixava por
ter de o fazer. Também me habituara a reconhecer a expressão da minha colega,
logo ao abrir da porta, já ela estava a trabalhar há uma hora quando entrava eu
fresca e o sol me denunciava.
Por aquela porta vi entrar muitos
corações palpitantes, outros cansados e ofegantes, tal era o caminho atribulado
por que passaram até chegar ali. Olhei através dela, por vezes confiante,
outras receosa (acredito que não mais do que quem esperava do outro lado), umas
centenas de vezes.
Aquela porta tem uma história,
aliás, tem muitas. Representa para alguns um passo doloroso, outros traquinas,
olhavam-na como a um brinquedo. Um friozinho na barriga devia causar a maior
parte de quem a desafiava. Uma tableta pendia com fotografias de homens e
mulheres belas, estereótipos de sorrisos jucosos fitavam quem os
confrontava naquele momento, era um espelho distorcido, artificial.
- O que estou aqui a fazer? mas
as mãos trémulas já se tinham precipitado para a campaínha e agora era tarde
para voltar atrás. Alguns faziam-no mesmo assim. Abria-se a porta e nem rasto
para seguir. O alívio da fuga devia ser tanto que não voltavam sequer a
contactar. “Ufa, desta já me safei, afinal não sou nenhum desesperado!” Desesperado. Há palavras de que temos medo, até se evita
proferi-las não se vá tornar familiar!
Noutras ocasiões abria-se e, de
sorriso cintilante (menos provocador que o dos modelos da publicidade), olhar recetivo, eram
acolhidos por um sistema que os abraçava. Reformulo, eram acolhidos pelas
funcionárias. Na tentativa de manter o peito aberto (porque estas também têm as
suas reservas, umas mais que outras ;)), embalavam-nos até ao local onde se
realizava a consulta. Consulta de análise de processo. Soava a algo rigoroso,
clínico e até ameaçador para alguns. “Eu não preciso de nenhuma consulta, fiz análises há pouco tempo” – ouvi algumas vezes por um dos 6 telefones que
tínhamos.
Nenhuma de nós era hábil no
disfarce das emoções e contenção do “reagir” quando nos admitiram. Lembro-me da
entrevista e de como estava tão entusiasmada que esse brilho ofuscou quem me
fazia as perguntas e não reparou nas minhas falhas técnicas. Certas características que se eu soubesse de
antemão que eram valorizadas (e necessárias!) talvez não me tivesse candidatado
(não por seletividade mas pelo medo do fracasso). Aprende-se. Não digo facilmente, forçosamente. Tenta-se, com os próprios recursos, aproximar a performance ao
ideal desejado, da mesma forma que quem foge de um leão consegue correr mais do
que imaginava e quem naufraga sem saber nadar, flutua.
(Continua... - noutras folhas)
Subscrever:
Mensagens (Atom)