Não sou inocente mas gosto de
acreditar. Gosto de acreditar que existem boas intenções ou, pelo menos, que
não existem assim tantas tão más (quanto se diz).
Posso ler sinais de alerta, perceber
comportamentos desviantes mas tento justificá-los com motivos que valido, mesmo
que o próprio sujeito não se defenda. Sinto-me melhor assim, num mundo não tão
negro quanto o pintam.
Continuo a defender o fifty-fifty: metade da amostra de uma
população não será tão fácil de lidar quanto a outra. Mas o que é isso de ser “mau”?
Ter maldade? É-me difícil imaginar alguém que nunca sentiu inveja, ódio, desejos
“proibidos”… Parte de nós contém-se ou
sublima estes sentimentos e emoções, outros reagem indiretamente e o prejuízo
não é tão “automaticamente” visível, outra parte, a apelidada de desviante,
cede aos impulsos sem medir as consequências (ou se as medem dão-lhes pouca
importância). O conteúdo emocional é o mesmo, o chamado “fundo” não me parece
mais “bonito” nalguns do que noutros. A diferença está na forma como se lida
com a turbulência que se cria interna e naturalmente. E isso é o mesmo que
distingue o bom do mau? Ou o amistoso do vilão? Nem todos temos mecanismos e
recursos para gerir os problemas da “melhor” forma e, nestes casos, talvez se
borre mais facilmente a pintura mas…
Por detrás da antipatia mais
áspera e do comentário mais irónico e até de rancores declarados, podem-se encontrar qualidades humanas mais
“louváveis” do que no fundo de sorrisos e discursos hábeis. Por detrás do
primeiro pode estar uma criança assustada (passo o cliché) que se foi
conseguindo defender assim, face a um meio hostil, enquanto que o segundo
provavelmente teve mais oportunidades para se colocar na posição de observador
e aprendeu por modelagem quais os comportamentos mais reforçados socialmente.
Será que se pode denominar este tipo de desenvolvimento de mais evoluído? Numa
opinião pessoal, arrisco discordar. Vejo a evolução como um sistema em que se
promove a harmonia (que não é cor de rosa) através da compreensão e adaptação
profundas entre uns e outros. Aprender a encaixar, a discutir na tentativa
de chegar a um consenso (ou pelo menos de entendimento entre as partes), ser
menos gentil (porque nem sempre é fácil) mas saber compensar, sentir-se frágil
e poder dizê-lo, acolher a vulnerabilidade dos outros sem tirar proveito desta
mas se isso acontecer, reconhecer a própria fraqueza e expôr as suas razões (se
conscientes), poder ser orgulhoso mas evitar ser inflexível, ser franco(!), não é procurar a
perfeição mas o equilíbrio. O que para mim não é o mesmo que manipulação (que associo ao caso da amabilidade artificial referida anteriormente). O exemplo da balança agrada-me. Pelo contrário, não considero evoluído aquele que aponta e exclui quem não se assemelha a ele próprio.
Na terapia de casal fala-se de
cedências, já se chegou à conclusão de que uma parte não faz o todo e de que o
trabalho de melhoria tem de ser feito em conjunto. Porque não aplicar esses
conhecimentos/conceitos a um nível global ao invés de se seccionar os maus dos
bons, os fracos dos fortes e por aí em diante..!? Eu apostava numa terapia mundial
(o problema seria arranjar terapeuta e não o excluir).
Desenvolver a inteligência
emocional que pode começar por melhorar o autoconhecimento, a ponto de erradicar projeções e “o outro” tornar-se mais claro para nós. Como um
surfista tenta equilibrar-se nas ondas, a consciência pode tentar domar as
vibrações mentais provocadas por tantos estímulos intrínsecos e por outros
aparentemente externos. Acredito que só a tentativa já vale a pena e pode
provocar diferenças benéficas. Mas como não posso mudar o mundo (e se pudesse
não garantia que fosse para melhor), fica a reflexão e o esforço diário em
adaptar-me às tempestades humanas.
Cara amiga!
ResponderEliminarCheguei à conclusão que estou na metade errada e que certamente a minha forma de estar na vida está errada!? Com a minha idade e experiência deveria ser mais "inteligente" e saber jogar com as mesmas cartas! A hipocrisia, o sorriso forçado, o politicamente correcto, é o único meio de sobreviver neste mundo de faz de conta. Ontem falamos de respeito, sem saber o desfecho do dia, ironias do destino, disse eu que o respeito devia ser conquistado e merecido, ninguém pode obrigar os outros a respeita-lo e acabei por sentir na pele isso mesmo. O medo, a coação, a manipulação, o usar as pessoas é sem dúvida a melhor forma de se chegar ao destino pretendido. Culpa minha que cai no jogo! Não sei se este desabafo faz sentido, ainda não acordei do pesadelo, nem sei se quero acordar...Quando o fizer espero ser uma pessoa diferente, mais esperta e adaptável. A franqueza e as convicções não compensam! Muito menos o esforço e dedicação, nunca mais!!! A alma está negra (mais negra) e a pouca fé que me restava sobre as pessoas apagou-se. Estas lamentações já vão longas e nada do que possa dizer ou escrever agora vai melhorar aquilo que sinto.
Aproveite a vida, não deixe de ser quem é, uma luz (talvez das poucas) que ainda brilha.
Um até já!
Isso merece um tête-à-tête. Até já*
EliminarSem querer ser parola mas já sendo... fica aqui uma música que deve gostar. Ouvi-a hoje de manhã e deu pra arrepiar, lembrei-me de si! http://www.youtube.com/watch?v=Xx6T-R6WKMw
ResponderEliminarImperdoável é não conseguir enfrentar o espelho, imperdoável é sentir-me inútil, imperdoável é não me perdoar, imperdoável é não ter forças para lutar,imperdoável é deixa-los vencer-me, mas imperdoável seria perdoar! por agora não posso nem o quero fazer! Adorei a música, aqueceu a alma, mas perdoar ainda não...
ResponderEliminarbem haja pelo incentivo e continue com a capacidade de perdoar (mesmo quem não merece)! Beijinhos** I