Deixei de querer acreditar. Achei
mais sensato contentar-me com o dia-a-dia comezinho, a seguir a rotina de um
emprego, a tapar os problemas com a peneira. Mas estes, como o sol, queimam
enquanto persistem. E a pele torna-se fina, mais sensível depois de lesada.
Esforçei-me para me alegrar com “o
pouco que tenho”. Afinal é muito, é quase um crime lamentar-me nestes dias em
que ter patrão, local onde me aconchegar, comida e excentricidades pontuais (ou
semanais), é ser privilegiado.
A pirâmide de Maslow e as suas
descritas graduais necessidades, é hoje utopia para grande parte da população.
O presente tratou de erodir as camadas superiores e a pirâmide virou planalto. Também
eu me resignei a vê-la assim, cortada.
Cortadas foram também as ilusões
de que o mundo era perfeito com os seus erros. Nem sempre consigo manter a visão de que tudo é aprendizagem útil e
rentável. Às vezes o desânimo toma lugar. Não por muito tempo mas com algum
peso que me atrasa o ritmo. Atrasa-me o passo.
A certeza de que construir o
futuro estava nas minhas mãos alterou-se para a aceitação de ter de me adaptar
às intempéries e que isso, por si só, já é feito louvável.
Tenho força, tenho sonhos, mas a
luta pela “sobrevivência” cansa-me o espírito.
(Como quem bufa para expulsar
pensamentos pesados e tensões acumuladas.)
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