Não me contento com a
insatisfação, não me contento com a ignorância. Apesar de saber que ambas são
infinitas, tanto quanto o próprio conhecimento... Nesta jornada em direção ao
final do arco-íris, deixo-me deslumbrar. É de uma jangada que baloiça que olho
o céu e tento perceber o Universo. A minha visão é limitada, mas incansável.
O desejo aumenta, floresce à
medida que descobre. Não consigo alcançar o cume e por isso continuo,
incessante. Corro sem me cansar. Alimento-me da vontade, perco o sono e a fome.
Paro só por um momento, contemplo
o que encontrei até aqui. Guardo bem as recordações e as aprendizagens, o que
já vi tem tanto valor como o que está por desvendar. Com o entusiasmo e tentativa de acelerar o
ritmo, alguns papiros perdem-se, voam até ao passado e por lá ficam. É em vão
que tento recolhê-los. Outros apresso-me a resguardá-los no cofre que escondo.
Não perco o fôlego, pelo
contrário, encho os pulmões deste odor primaveril que me impulsiona a
continuar.
Descoberta. Deixo-me estar assim
porque não sinto frio. O sol bate quente neste terraço, repouso as minhas
ideias e planeio construir uma escadaria com elas. Planeio empenhar-me em
subi-las, em busca do caminho para onde me levam (lugar-comum acarinhado).
Terrazas fábrica Casaramona - Barcelona
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