segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Brincar com plasticina




Dobra-se uma folha a meio, calca-se bem, com veemência e por várias vezes consecutivas. A seguir é fácil rasgá-la, por essa dobra.

Quando fazemos o mesmo caminho diariamente, quase que o conseguimos percorrer de olhos fechados, torna-se automático. A ida para o trabalho, o regresso a casa, subir as escadas até ao quarto, não interessa para onde mas quantas vezes vamos.

Se atravessarmos uma estrada de terra, repetidamente pelo mesmo trajeto, este vai ficar bem delineado e será até com alguma dificuldade que alteraremos a rota, de tão profundas que estão as marcas do chão (principalmente no caso do meio de transporte ser uma carroça).

O mesmo acontece no nosso córtex cerebral. Se se utiliza constantemente os mesmos “caminhos mentais”, estes vão-se tornar principais e salientes. Quando isto ocorre, cai-se facilmente nos mesmos “erros” cognitivos e mesmos pensamentos, utilizar um desvio necessário transforma-se numa tarefa árdua. Assim compreende-se melhor porque se torna tão difícil para um depressivo, um compulsivo ou mesmo um obsessivo (passo os termos, dado que normalmente censuro a “rotulação” mas utilizo aqui pelo sentido prático dos termos), encontrar alternativas de comportamento, soluções para problemas ou razões para mudar parâmetros segundo os quais regem as suas vidas. A mente fica como que viciada e mal habituada.

Recordo-me muitas vezes da importância deste processo porque assim se pode, até certo ponto, evitar o sofrimento crónico, o sofrimento derivado de situações que não dependem do próprio ou simplesmente que não têm uma resolução satisfatória. O quanto é útil expandir os horizontes, tornar a visão o mais panorâmica possível (porque esta será sempre limitada)!

Fazer contorcionismo com a mente (com algumas precauções para não “partir o eixo”), pode ser muito saudável. Saber que a quantidade de perdas e elementos negativos presentes (ou futuros) no nosso quotidiano, é (na maior parte dos casos) igual ou inferior aos nossos ganhos, é uma questão de foco. Este foco pode ser desenvolvido e educado, para que isso aconteça é necessário trabalhar a elasticidade do nosso órgão pensante. Este pode ser exercitado, tal como um músculo. Por isso, bora lá pro ginásio para aumentar a performance… E a alegria! 




Aproveito a deixa para introduzir o meu novo método de escrita neste blog. Porque "quem me dera" que fosse possível na realidade instantânea e porque aqui o é, vou passar a usar (e abusar) da funcionalidade "editar". Que não se admire quem ler um texto hoje e daqui por uns tempos o pretenda reler, que já não encontre a mesma "prosa", ou (quem sabe, porque ainda não testei os meus limites neste campo) até já nem encontre a mesma ideia inicial. Reinventar o suspiro... Ai ai, se o pudéssemos fazer com os dias que já passaram... "Cut!" Eu sei, perdia-se a espontaneidade, genuinidade, entres outras dades mas porque não simulá-lo aqui neste meu espaço virtual, de onde sai e entra quem quer, ao contrário do meu espaço físico onde devo respeitar as normas..?

Pretendo com isto completar o que considero lacunas, reformular a mensagem, eliminar disparates ou até acrescentá-los! Brincar com a plasticina era das atividades que mais me entretinha enquanto criança. Continuo a gostar...

2 comentários:

  1. Mas imagina que um dos caminhos mentais que usamos é bem sucedido, isto é, não nos leva ao erro. Devemos mesmo assim colocá-lo em questão? (Não é uma pergunta retórica)

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  2. Nesse caso devemos decorar o caminho, sem esquecer que há alternativas, não vá ser necessário um desvio… Por motivo de obras por exemplo..! Um caminho pode ser bem sucedido até ali mas amanhã já não resultar porque as circunstâncias são diferentes, são sempre diferentes, uma situação estática é pura ilusão por isso há que lavrar novos rumos para uma melhor preparação e adaptação...

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