Presumo que existes porque a minha memória inclui-te. Existes entre sinapses que os sentidos criaram, envoltos de emoções e assim relembro-te e reinvento-te. Existes tanto quando estás presente como quando distante. O que nos prova a verdade do que captamos com os nossos sentidos?
Numa mente esquizofrénica, é tão real uma alucinação como o nosso encontro.
A saudade surge da falta de novos estímulos de um determinado "objeto" que nos costuma provocar boas sensações, ou assim ansiamos. Sentimos saudades porque um vazio se instalou no lugar de emoções fortes que nos acordam para o sentido da vida.
Qual a diferença entre a morte e a distância no que remete ao sentimento de perda? Uma questão de perspetiva e expectativas. A distância não mata a esperança, mesmo que inconsciente, da possibilidade de rever o "objeto". Não decapita o desejo. A morte altera definitivamente o futuro, acaba com qualquer expectativa e com uma hipotética satisfação da necessidade do outro que pudesse reaparecer.
O maior sofrimento advém assim, da impossibilidade de concretização. Estejamos a falar de amor ou qualquer desejo que nos importe tanto como a vida... É o saber que essa impossibilidade é incontornável, é uma certeza. O que não sabemos é precisamente o que nos faz sonhar e criar.
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