O nosso fascínio pela arte é incontestável. Na verdade, estamo-nos a apreciar a nós próprios, de outro ponto de vista. A “obra de arte” é o mais real dos espelhos da subjetividade humana, do nosso conteúdo e alma visceral. Fazemos arte com tudo aquilo de que somos feitos. Entregamo-nos de corpo e espírito no seu ato de concepção e o resultado é uma realização espontânea. Quando seguros de que o que fizemos é “transmissível” e será apreciado, dá-nos ganas de expôr o nosso trabalho ao mundo!
Existe na arte um entendimento superior ao das palavras sem par, podendo no entanto integrá-las (sendo-nos tão queridas). Numa pintura, um texto pode completá-la, no fado, o seu par é a alma.
Sermos compreendidos ao contemplá-la, é a melhor sensação da experiência. Uma descoberta silenciosa que nos gera sentido. Olhar e perceber, sentir, apesar de não conseguirmos explicar na grande maioria das vezes. A cognição está ativa, à procura da amiga lógica e com a ajuda das nossas ferramentas de apreensão dos estímulos, os sentidos. Mas a idiossincrasia de cada um que observa, lê de forma pessoal e individualizada todos os seus componentes tangíveis e potenciais. Mexe connosco.
Nesta relação, o artista apresenta-se a nu, eventualmente sem os preconceitos de uma apresentação de caráter "social". Assim, rotulo este contacto como genuíno e até ingénuo. De certa forma, o artista expõe os seus medos e livra-se deles simultaneamente. É arriscado e conciliador. (Quase) o mesmo, acontece ao espectador.
É com ambiguidade que revelo uma breve interpretação da arte e com a certeza de que esta é uma das suas características inerentes. Tão inevitável como a sua pertença à condição humana. Compreenda-se.
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