segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Migalha de pão


Somos parte de um todo, eu sei, somos uma migalha de pão. Mas lembro-me melhor quando o sol clareia as ideias, quando o despertar muda, para além do humor, a energia para encontrar soluções, para voltar a sorrir se a noite anterior trouxe desapontamento.

“Hoje estou como o tempo” – frase tão ouvida pela vizinha de baixo, pelo colega da secretária ao lado ou de uma amiga ao telefone. Não é tão comum tomar atenção ao seu significado – uma perspetiva holística (agora na moda), não se devia referir apenas ao corpo/mente humana, há sempre um contacto direto e interveniente com tudo o que nos envolve. Tão óbvio e tão esquecido. Nunca deixamos de interagir, nem por um segundo, com o ar que respiramos ou com as bactérias que se instalam na pele, a título de exemplo (para que se torne claro). O corpo, as emoções, a fisiologia, eu, tu, a lua, o sol, são um só, divididos em subsistemas. Imagino que Júpiter não terá a mesma influência em nós que a luz solar a que estamos expostos diariamente, mas pertence igualmente ao sistema de base e decerto que poderá intervir no nosso habitat de forma devastadora se um dos asteróides que circula à sua volta se desviar da sua órbita.

Abandonamos a teoria Geocêntrica e substituímo-la, a jeito de anagrama, pela Egocêntrica. Ou seja, não houve uma evolução global da mentalidade e da lucidez que nos permita estar mais perto da realidade de nós mesmos, de onde nos inserimos e de como se processa esta relação. Olhamos e cultivamos mais o “nosso umbigo”, apesar de posturas divergentes estarem a ganhar uma presença notória.

Isto tudo para relembrar que não podemos contar só “connosco” para viver bem. Da planta do jardim da rotunda, ao cão do filho da cunhada, passando pela brisa da manhã que nos faz pingar o nariz, dependemos todos da sua ação sobre nós. Contudo, o mais acertado não será tentarmos controlar todas as variáveis que nos rodeiam, pois seria tarefa árdua… A alternativa ao controle é o usufruto de que podemos beneficiar se preservarmos o que se encontra ao nosso alcance. Desde as relações sociais às ecológicas. Falo de uma evolução consciente, dentro do ritmo e limites possíveis. Aí sim poderemos colher bons frutos!

Estas reflexões (que muitas vezes derivam da satisfação que me dá a simples luz do dia) funcionam como alertas para a minha consciência e o mesmo espero, para aqueles com quem as partilho.

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