sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Nos contornos da escrita (de um prisma grafopsicológico)



Desenho-te com as letras do alfabeto, em cada curva uma lembrança, a cada ângulo uma dor. A tinta que borra o papel é paixão que o impregna. Deixo a minha marca para me dirigir a ti, para tirar de mim a parte que te pertence.

Quero que leias. Não só as palavras. Quero que me vejas dançar nesse ritmo que me caracteriza, difícil de classificar.

Ouve-me respirar nos espaços que crio e neles também a distância de que necessito, sente o meu medo. Nos passos, vê as minhas hesitações, os meus malabarismos... Se olhares bem, consegues perceber como me equilibro. Onde coloco os pés, as mãos, ou os pés pelas mãos…

Entende as minhas aspirações, compreende-me melhor quando não controlo os impulsos. E se salto, faço-o por precaução ou sensibilidade.

Tiro a roupa e prevalecem os contornos do que sou, do que quero e tento ser. Com uma lupa poderás até observar a minha saúde.

A sinceridade não é aclamada, revela-se.

Despida do que tento parecer, não tenho muito por onde escapar. Ignoro o observador.

Não me sinto ameaçada mas livre, para me expressar!

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