domingo, 5 de agosto de 2012

Os meus olhos não vêem a preto e branco


O que seria dos nossos dias sem a ilusão? O que seria de nós se fizéssemos da realidade a nossa bíblia, o que será de mim no dia em que levar a sério as estatísticas pessimistas dos jornais?

Pobres aqueles a quem lhes falta o sonho, o otimismo pelo que há-de vir! Que força os fará dar mais um passo, com que coragem erguem o olhar a cada manhã!?

O espírito crítico nem sempre é voz do “realista”, quando este ajuda a baixar a cabeça e a aceitar o desânimo.

Quem sou eu se não contesto que não pertenço à percentagem de “desafortunados” que publicitam diariamente com orgulho mórbido? E se estiver em vias de o ser, prefiro não o saber!

Enquanto vivo neste mundo que pinto de colorido, sorrio mais e a vida retribui.

É prudente não abrir totalmente as cortinas, a luz do sol pode ferir a vista. E quem somos nós sem ela?


A título de exemplo, uma amostra do que os olhos com lentes coloridas podem criar: http://www.elperiodico.cat/ca/noticias/societat/video-curriculum-duna-professora-barcelona-latur-triomfa-youtube-2022521

10 comentários:

  1. Penso exactamente o contrário: prudente é arrancarmos as cortinas e deixarmos que a luz entre no quarto escuro, cheio de medos e aflições, receios e perdas, em que nos querem enfiar. Sem dúvida que vai causar incómodo e desconforto, mas vai fazer-nos entender melhor o que se passa à nossa volta.

    Se calhar, até vemos que a realidade não precisa de ser pintada só em tons de cinza e que aquilo que possuímos, aquilo que é nosso, já causa uma enorme satisfação.

    Ao que chamas ilusão eu prefiro chamar ambição. Não sei porquê, mas ilusão cheira-me sempre a comodismo. Ambição é querermos melhor e mais bonito para nós, conquistar algo que desejamos e lutar para que isso aconteça. Não nos reconhecermos nas estatísticas, como referiste, é sinal de força de vontade e necessidade de mudança. Não acredito que uma ilusão te traga isso tudo...

    ResponderEliminar
  2. Caro FF, obrigada pelo comentário, assim o blog torna-se mais dinâmico sem dúvida e eu tenho oportunidade de me explicar melhor ;-)

    Concordo com tudo o que defendes, as palavras que escolho muitas vezes refletem mais um estado de espírito do que uma opinião concreta. Quando falo em ilusão, falo da capacidade de imaginar uma realidade diferente, mesmo que esta não seja concretizável. Sim, sonho alto e isso faz-me, não muitas vezes atingir esse patamar tão alto mas alcançar objetivos satisfatórios, ou seja, contentar a ambição.

    Escrevo de uma forma "romanceada" e até um pouco dramática porque, mais uma vez, para além de um ponto de vista, falo de sentimentos e se ser realista é estar a par de todos os números, probabilidades e tragédias atuais, prefiro viver na "utopia".

    Realmente concordo que devemos abrir os olhos, não só para o que nos querem mostrar mas entender realmente o que se passa, aprofundar assuntos e "descobrir" algumas situações e o que podemos fazer na prática para alterar o que está nas nossas mãos. Neste texto quis expressar mais do que as minhas preocupações em relação ao presente ao futuro, quis mesmo questionar até que ponto não será útil a ilusão de que as coisas não estão assim tão mal, de que a probabilidade de eu manter um emprego insatisfatório durante mais anos do que eu imaginava não é assim tão alta, de que criar algo a ser gerido por mim não é um risco que não se justifica, de que o amor é lindo e cor-de-rosa! Quis-me refugiar um bocado numa "realidade fantasiada" e questionei-me se não será saudável às vezes termos uma visão "alegremente distorcida" do que acontece à nossa volta(?)

    Divagações..!

    ResponderEliminar
  3. O blog e a autora merecem, quanto mais não seja, um gajo aqui a fazer o papel do Pacheco Pereira. Por isso prepara-te, vou discordar de muita coisa!

    Quando falo em deixar a luz entrar, falo em sair da Matrix! :) Há um diálogo no filme em que diz o Neo: "Porquê que me doem tanto os músculos?" e responde o Morpheus "Isso é porque nunca os usaste!"

    Aqui é igual, as pessoas estão acomodadas: ao emprego, aos amigos, aos companheiros amorosos, ao país, etc.

    A realidade fantasiada de que falas, para mim, deveria ser a nossa realidade colectiva! Se começarmos a analisar as coisas friamente (não é ouvir os experts a falar, é procurar informação) e se percebermos que o dinheiro só falta para alguns e não para outros, e que o amor apesar de não ser cor de rosa faz-nos voar com os pés no chão, aí as coisas mudam.

    Parece-me que já estás a sair da Matrix, se calhar és a nossa "The One".

    ResponderEliminar
  4. Mais uma vez não deixo de concordar contigo de certa forma mas não resisto...

    Em tom provocatório, mas retoricamente: "o amor faz-nos voar com os pés no chão" - por quanto tempo? Na realidade creio que se dissolve numa amizade cúmplice, às vezes com alguma magia pelo meio, outras vezes com muito cinzento. Mas eu prefiro não pensar muito na realidade ;-) Tudo isto é medo de "crescer"! A "razão" não me faz sorrir da mesma maneira, apesar de ter de concordar com ela, ainda preciso de viver com lentes de outras cores.

    Não me sobrestimes! ;-D

    ResponderEliminar
  5. Como romântico que sou, comparo uma relação amorosa a um jogo de ténis: se os dois jogadores tiverem o mesmo empenho, esforçarem-se de igual modo e se tiverem na disposição de passar a bola para o outro lado, mesmo quando as forças estiverem a faltar, pode durar toda uma vida! Agora se os jogadores tiverem diferentes formas de jogar, desistirem facilmente de vários pontos e se não se mantiverem motivados, dura uma hora!! :)

    ResponderEliminar
  6. Gosto da perspetiva, é esse o espírito! Mas não te iludas ;-)

    Há coisas que se perdem, outras que se ganham, mas não terá o intitulado "amor romântico" um prazo de validade? - daqui a pouco crio um blog só para discutir este tema, ou melhor, um fórum! Plim! Brincadeira :-D

    ResponderEliminar
  7. Mas o que seria de mim sem o Michael Bublé a cantar "Haven't met you yet"!

    (é permitido fazer chat num blog? - como eu gosto de pisar o risco :-p)

    ResponderEliminar
  8. O quê que significa isso de "amor romântico"?

    ResponderEliminar
  9. "ao contrário do gostar, o amor inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma preocupação intensa." Retirado de fonte desconhecida, peço desculpa a falta de citação mas concordo com esta "definição". Não queria entrar muito por aqui porque acho que é um tema muito complexo para ser discutido por escrito e, "ainda pra mais", num blog... Só para te responder que este também é o meu ponto de vista acerca do amor romântico. O que fica passados alguns anos de convivência é diferente disto, não quer dizer que seja mau!

    ResponderEliminar
  10. Discussão com fontes desconhecidas? Assim não pode ser... :)

    Repara, voltamos ao início. Muitas vezes o desgaste que uma relação sofre, para mim, explica-se de duas formas: ou uma das pessoas (quando não são as duas) decide que a pessoa ao seu lado não é a "ideal" mas antes acompanhado do que aguentar a penosa solidão ou então dá-se o estranho fenómeno do "agora-que-já-tenho-a-pessoa-de-quem-gosto-ao-meu-lado-posso-deixar-de-ser-aquela-pessoa-que-era-e-ser-um-autêntico-jabardolas-desleixado-fedorento".

    Conheço casais destas duas espécies e, na minha opinião,tudo se resume à essência deste post: Acomodação.

    PS: se o que fica passados uns anos é diferente da definição, não é mau, é horrível...

    ResponderEliminar