domingo, 28 de agosto de 2011

Ser Humano, um privilégio

 
Somos os seres vivos que mais interagem com o seu meio, com o seu próprio habitat, ultrapassando mesmo os seus limites. Temos assim nas nossas mãos um poder de aprendizagem e observação que mais nenhum ser do planeta possui. Somos privilegiados. Temos o privilégio de termos sido abençoados (passo o termo) com uma inteligência criadora, semelhante ao próprio poder da Natureza. Existe em nós uma capacidade suprema de recriar, reciclar, reinventar, que com certeza seria alvo de inveja se os outros seres vivos tivessem consciência dela.

Concordando, só poderíamos esperar uma contribuição e evolução benéficas para o mundo, vindas deste ser tão magnífico. O que vemos está muito longe do que se poderia esperar de um animal com tantas competências. Contra mim falo.

São muito poucas, ainda, as vezes em que me permito uma pausa para refletir sobre o meu estilo de vida e atitude perante o que me cerca. Uma fauna e flora vastas, com um encanto sublime cujo valor descuramos, como o fazemos com tudo o que nos parece fácil de obter. Dando um exemplo prático, no outro dia o patrão da empresa onde exerço funções, questionou-me: "Você sabe o que é mais valioso no mundo?" Ao qual respondi com outra pergunta, naturalmente: " Valor financeiro?" Respondeu afirmativamente. "Hmmm... Ouro, diamantes, platina..? Exatamente, respondeu. No entanto, não precisamos deles para respirar nem para sobreviver" Este pequeno diálogo tinha o intuito de me alertar para o valor comercial dos serviços que prestamos mas fez-me pensar numa questão mais importante e, Eureka! Agora entendo o que as pessoas com mais idade querem dizer com "Os valores perderam-se", ou, pelo menos, já tenho a minha interpretação. Não me refiro a valores ético/morais/religiosos, aí haveria pano para mangas e iria-me desviar do tema. Falo do real valor que damos às "coisas" e o pouco que damos à vida! Vêmo-la como garantida e porque a nossa passagem é curta, à que ser egocêntrico. Talvez a nossa passagem não seja tão curta e se prestarmos atenção à sabedoria indiana, o que não nos parece nosso ou parte de nós, se calhar é o nosso verdadeiro "Eu".

Quando estou atenta e cuido do planeta que me acolhe (dentro dos possíveis de forma a continuar integrada na sociedade), sinto-me mais consciente e com o coração cheio. Por isso, nem que seja por egoísmo, para nos sentirmos melhor connosco próprios, deveríamos abrir mais os olhos para a magia que nos envolve, ao invés de nos deixarmos ludibriar por uma utopia urbana que nos promete tornar "melhores", "mais capazes" e, simplesmente, mais consumistas e dependentes. Escrevo como um ato de lembrança para mim própria e para quem me quiser "ouvir".
Heal the world! :)

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